quinta-feira, 30 de junho de 2011

Coisas do inverno I - Paris

Paris. Três graus abaixo de zero. Nem o casaco nem o cachecol conseguem fazer o frio parecer menos frio. Vendedores de castanhas estão por toda parte. Cinco francos por cinco delas. Assadas na brasa, quentinhas... Dois pacotinhos, um para cada bolso. Pelos menos as minhas mãos estão quentinhas. Adoro este clima. Sigo meu caminho admirando a beleza dos prédios antigos, mas confesso que, apesar de tudo, eles me parecem mais bonitos na primavera. Faltam as flores.




Lilia Maria

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Fiquei louca?

Deveria ser um conto de fada,
Mas no caminho só encontrei bruxa.
Puxa!
Eu beijei um príncipe
E ele não virou sapo...
Chega de papo!
Conversa fiada
Não leva a nada.

Era um sonho louco.
Procurava o coração
Que pela boca me saiu
Ao bater alucinado.
Coitado!
Ele, que só queria se apaixonar,
Das amarras se livrar,
Foi se deixando levar
Pelo sentimento mais inocente,
Mais puro,
Mais decente,
Que alguém já pode ter.

Por os pés no chão?
Voltar a ser prudente?
Não tem graça!
Prefiro ser meio doidinha,
Meio levada da breca,
Parecendo a eterna moleca,
Que andava perdidinha
No meio do turbilhão.

Lilia Maria


Retomando velhos escritos...
Não sou nem doidinha nem levada. Sou comedida demais. Isso é um problema. Penso tanto em não magoar as pessoas, em ser correta, leal, verdadeira que muitas vezes a única que sai chamuscada sou eu. Não importa. Não vou mudar agora. E se tiver que chorar, vou chorar. E se tiver que rir, vou rir. Vou viver e não apenas sobreviver...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Dor de amor

Onde dói o amor perdido?
Como é a dor do amor doído?
É dor latente,
Dessa que enlouquece a gente?
É dor ardida
Como de uma profunda ferida?
É dor dormente
Como se fora um membro amputado que ainda se sente?
Onde dói a dor de amor?
Na alma?
No coração?
Só sei que não é como a dor doente,
E doi de forma diferente.
Não adiante pílula ou compressa,
Não tem cura por promessa.
Mas passa, um dia passa,
E se não passar, paciência,
Aprenda a com ela conviver.

Lilia Maria

Era mais ou menos isso.
Hoje estava no banco anotando coisas na minha agenda e li um poema que falava das nossas dores do corpo e da alma. Um poema inspirou outro...

Em tempo:
Rogério, esta agenda é uma grande companheira. Obrigada.

Partilha

Parte
a parte
de quem parte.

Parte
o pouco
da parte de quem fica.

Que parte
me cabe
nesta partilha?

Aparte
a parte de um,
reparte a parte do outro.

Quem parte
e reparte,
nem sempre toma parte.

Lilia Maria

Falando pra mim...

Cabeça de vento,
Tome tento
E para de sonhar.
Sinta o perfume da noite
Que vem de trás da cadeira
Onde você foi se sentar.
Não pense,
Não chore,
Não sinta saudade.
Um dia tudo entra no lugar.
Ah! As voltas que o mundo dá!

Lilia Maria

Hoje à tarde reparei que apesar de estarmos quase no final de junho, a minha flor-de-maio está coberta de botões. Reparei também que a minha dama da noite está exibindo lindos cachos prestes a desabrochar.
Agora pouco sentei na varanda. Estou sozinha em casa, as meninas foram viajar. O perfume doce e delicado estava espalhado no ar. Que delícia! Esta é uma noite perfeita para sonhar...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O dia em que eu virei torcedora do Santos

Não foi ontem não. Nem foi no dia de alguma vitória espetacular da era Pelé. Faz muito, muito tempo.
Sou descendente de italianos tanto por parte de pai como de mãe. Mas os Faccio’s sempre me pareceram mais italianos que brasileiros. E como bons “italianos” eram fieis torcedores do Palestra. Sim, Palestra Itália, o nome abrasileirado, Palmeiras, não fazia parte do vocabulário da família.
Meu pai sempre se orgulhou de ter sido jogador do time. Dizem que lá no museu do futebol tem algumas fotos dele com o resto do elenco em algumas partidas. Um dia ainda vou lá para conferir.
Meu avô era um torcedor tão fanático que assistia às partidas ao vivo, colado na televisão. E depois, tarde da noite, quando exibiam os VTs, ele continuava torcendo como se a qualquer momento fosse acontecer uma jogada diferente daquela que ele já havia visto.
Lembro-me que aos domingos, depois de nos reunirmos para o almoço de família, à tarde os homens se juntavam para ver futebol, as mulheres conversavam fazendo tricô e nós, as crianças, brincávamos no quintal. Mas, naquele dia estávamos todos na frente da TV. Creio que era algum final de torneio. Santos e Palmeiras disputavam o título. Eu devia ter mais ou menos três ou quatro anos, não mais do que isso. Estava sentada no chão ao lado do meu irmão que era um santista declarado.
O jogo nervoso, disputado, que para alegria dos mais velhos foi vencido pelo Palmeiras. Meu irmão estava choroso, triste pela derrota do seu time. Meu avô, dono de uma sensibilidade de fazer inveja a qualquer elefante despencando em um carrinho de rolimãs solto numa ladeira, bateu na cabeça dele e sentenciou: - Passe a torcer para um time de gente... Ele retrucou prontamente: - A partir de hoje sou corintiano! O Corinthians era o time do coração de toda a família da minha mãe.
Eu, que sempre fui solidária com a causa dos fracos e oprimidos desde a mais tenra idade, não falei nada. Apenas abracei o meu irmão e pensei com os meus botões: - A partir de hoje sou santista.
Nunca escondi isso. Vibrei feliz a cada vitória, me calei diante das derrotas, mas nunca admiti que ninguém, nem de um lado da família nem do outro me falasse absolutamente nada, muito menos que escolhessem por mim o time pelo qual deveria torcer por livre e espontânea pressão.





Lilia Maria

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Dança das cadeiras:

Usando geoinformação na resolução do problema de vagas nas pré-escolas públicas da cidade de São Paulo.




Título e subtítulo da minha dissertação de mestrado.


O que uma coisa tem a ver com a outra?


Tudo a ver...


Na brincadeira quem não tem cadeira para de brincar, nas escolas públicas, quem não tem cadeira para de estudar. Mas há uma diferença fundamental: na brincadeira as cadeiras são retiradas uma a uma. Já nas escolas, por mais vagas que se abram, sempre tem tido mais e mais crianças esperando pela sua.


A relação VAGAS X CRIANÇAS pode ser resolvida, mas não pode ser apenas de forma biunívoca, isto é, não adianta ter X crianças na zona norte e X vagas na zona sul. Tem que ter vagas onde as crianças estiverem. Daí a importância fundamental da geoinformação.


O trabalho ficou bonito e simples de aplicar.


Quem se interessar é só me procurar.




Lilia Maria