quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A cor e a flor

Se nasce uma violeta branca
No meio do meu jardim,
Mudo o nome da cor ou da flor
Para não ficar confusa assim?

Por que rosa vermelha é rosa
E não vermelha como sua cor?
Quero uma dúzia de amarelas,
E aí, qual seria a flor?

É melhor que fique assim
Pois senão tudo teria que mudar,
O lírio seria branco
E de branco teria muitas flores a chamar.

O nome não importa tanto,
O perfume é o que vai contar
Se aquele cheirinho tão bom
Vier nos inebriar.

Lilia Maria









Tonterias

Parecia fanático
O amor lunático
Movido a paixão.

E em busca eclética
Na onda cibernética
Encontrou o coração.

Parecia tudo certo,
O caminho estava aberto
Ao encontro presencial.

E o amor que parecia imenso,
Tão forte e tão denso,
Sucumbiu nas águas do temporal.

Lilia Maria


Um dia eu abandonei este blog. Claro que voltei algumas vezes para regatar poemas, mas poucas, muito poucas vezes publiquei algo. Assim ele acabou ficando meio vazio. Mas vou voltar. Aqui será o repositório do amor que não quer acabar.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Criancice

Toc toc toc !
Ó de casa!
Abra porta pra mim
Que eu vim mesmo assim,
Mesmo sem ser convidada
Vou ficar aqui até o fim.

Lilia Maria

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sonhos

Sonhar?
Sonhos realizados,
Realizáveis,
Impossíveis,
Impraticáveis.
Prenúncios,
Sortilégios,
Santificados,
Excomungados.
Sonhar...

Lilia Maria




Sem sentido

Quanto mais passa o tempo,
Mais parece não ter senso,
As raias  do pensamento.

Então para tudo,
Para o mundo
Que eu quero descer.

Para o amor
Dou um sorriso,
Para a dor
Dou abrigo,
E vou vivendo assim,
Com saudades de você,
Com saudades de mim.

Lilia Maria

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ciclos



Passou a primavera,
Curtimos a luz do verão,
Mas não colhemos os frutos do outono,
E por fim chegamos ao inverno.
Um frio que corta a alma,
Um vento que varre tudo.
Voltaremos a sorrir por certo,
E um novo ciclo começará.
Nem todas as flores estarão presentes,
Nem todo o sol será captado,
Mas a vida é mesmo assim,
Vai e volta,
De novo estamos no lugar.


Lilia Maria

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Tropeço

Ilusão antiga,
Sonho que trago no coração,
Foi uma lição de vida,
Foi um belo tropeço,
Que quase me levou ao chão.
Fua aprendendo me equilibrar,
A fazer o jogo do contente,
Para sair de cabeça erguida
Da história que me valeu o sono
De noites e noites mal dormidas.

Lilia Maria

 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Canção do nada



Era doce,
Era pura,
Era cantiga antiga,
Era canto de ninar.
Tinha rima,
Tinha refrão.
Tinha mais de uma paródia,
Uma para cada situação.
Era meu verso,
A minha lira,
O meu hino,
O meu diapasão.
E me cabia como a luva,
E me cobria como um véu,
Era meu tudo,
Era meu nada,
Minha história,
Meu ocaso.
E vou ficando por aqui,
Antes que a voz venha a faltar
E nunca mais possa cantar.

Lilia Maria

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Historias do meu pai (II)



Muitas vezes eu não sei dizer o quanto das histórias que o meu pai conta são verdadeiras. Em todo caso...

Século XVIII, Itália, condado de Castiglione. Um jovem nobre estava destinado a ir para o seminário, cumprindo assim a promessa da família. Mas não era o que ele queria.
Bonito, inteligente, “bon vivant”, Vicente (ou Vicenzo como seria seu nome de batismo) resolveu concordar com a família, mas tinha um plano para escapar para sempre da vida religiosa.
Tão logo foi passível, reuniu sua bagagem e o dinheiro que pode e seguiu para abraçar o celibato. Entretanto, no meio do caminho simulou um acidente fatal. Sua família foi avisada, choraram a sua morte e se conformaram com a pouca sorte do filho.
Enquanto isso o nosso jovem foi viver a vida.
Alguns anos se passaram, e ele já sem dinheiro, com saudades da boa vida junto aos pais, resolveu voltar. De novo traçou um plano. Antes de mais nada precisava saber se seria bem recebido.
Sua aparência agora era bastante diferente daquela do quase menino que havia saído se casa. Voltou à sua cidade e não foi reconhecido, então decidiu ir até a casa paterna.
Bateu à porta como se fosse um andarilho a procura de comida e abrigo por uma noite. Sua mãe, mais velha e entristecida pela perda do filho, o recebeu com todo carinho. Durante a refeição, entre uma conversa e outra, contou, com muito pesar, a história do filho. Ela estava emocionada e encantada em poder alimentar um rapaz que tinha mais ou menos a mesma idade que seu filho teria, e toda hora repetia que ele a lembrava de alguém.
Depois da refeição ela ofereceu o quarto do filho para que ele descansasse. Levantou-se para mostrar o caminho ao caminhante e, qual não foi a sua surpresa quando ele lhe disse:
- Eu ainda me lembro do caminho, minha mãe.
Se fosse meu filho acho que levaria uma surra, mas não sei o que aconteceu. Creio que nem meu pai sabe.
Na família a história parece que se repetiu. Um primo do meu pai, neto do Vicente, simulou também a sua morte para sair do julgo do pai, mas isto é uma história que fica para outra vez.

Lilia Maria

domingo, 6 de janeiro de 2013

Sete mágico

Sete mágicos dias
E a semana findou,
Foram sete cores diferentes
E o arco iris se formou,
Brilhou...
Em sete alianças
Que agora têm  nomes
Um para cada motivo da felicidade.
Amor,
Fidelidade,
Simplicidade,
Lealdade,
Verdade,
Cumplicidade
E amizade.


 Lilia Maria

Trago no meu dedo anular um anel formado por sete alianças. Todas juntas trazem o segredo  da real felicadade. Será?


sábado, 5 de janeiro de 2013

Para quem não gosta de aniversariar



Tenho alguns amigos que odeiam aniversariar, outros adoram e comemoram com pompa e circunstância.

Este texto foi  escrito para um dos que pensam em fugir  de tudo e de todos neste dia.

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Antes que você fuja no dia do seu aniversário, preste atenção:

- fazer aniversário tem o sentido que você quiser dar. Pode-se comemorar mais um ano de vida, de experiência acumulada, de alegria, de vivência... Mas pode-se também não querer comemorar por se pensar que não é mais um ano de vida e sim um ano a menos a se viver. A escolha é sua.

- fugir, pegar um avião e sumir, passar o dia longe de tudo e de todos é um direito. Você tem livre arbítrio sobre os seus atos e os seus desejos. Se esta é a sua vontade, faça! Mas já te digo que isto não fará o tempo parar. O tempo nunca para... O que pode acontecer, e eu já vivi esta experiência, é você voltar deste “mergulho” tão relaxado que as pessoas acharão que você está remoçado. Felicidade e paz de espírito fazem com que a gente se sentir jovem.

- gostaria muito de pelo menos lhe dar um abraço no dia do seu aniversário, se não for possível, paciência, a gente se abraça quando acontecer o nosso próximo encontro. Talvez você pense que o abraço é só pelo reencontro, mas eu saberei que nele cabe felicitações, saudades, carinho, desejo de uma vida longa e feliz, e por aí vai.

- Você pode até sumir no dia do seu aniversário, mas você vai ter que voltar, certo? Aí eu poderei dar o presente que estou preparando com muito carinho. De qualquer forma, acho que o prazer será mais meu em dar do que seu em receber.

- eu sempre considero que o aniversário (e não o Ano Novo) deve marcar o início de uma nova etapa. Eu gosto de dividir este momento de começos e recomeços com pessoas que eu quero bem. Este é o meu modo de comemorar. Se o seu modo de comemorar é ficar longe de todos, a única coisa que todos devem fazer é respeitar, afinal é o seu dia.

- por fim, sinta-se sempre abraçado por mim no dia do seu aniversário.


Lilia Maria

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Oração

E foi assim
Que num belo dia,
No meio da calmaria,
Deus me ensinou a rezar.
Que cesse a hipocresia
Que não faz ninguém feliz,
Que cesse a pouca verdade,
Que virou uma bandeira
Tão fácil de hastiar.
Vem para vida,
Ela só vale a pena
Se for para se alegrar.

Lilia Maria

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Duas contas


Duas contas no meu conto, contam
A história do meu cantar.
Na noite escura, iluminam
Os sonhos que eu sonhar.
Duas contas, duas pedras preciosas,
... Quem eu insisto em guardar.

Lilia Maria

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Olhares

Minhas vestes cobrem apenas a nudez,
A alma continua exposta.
Quem me vê com os olhos,
Enxerga o colorido das roupas,
Mas não a cor da emoção.
Quem me vê com o coração,
Percebe a palidez do silêncio
Que guardo não sem razão.


Lilia Maria

terça-feira, 5 de julho de 2011

A quem interessar possa

Ele não ama mais?
Nem menos?
Continua amando como sempre?
Amando ninguém?
Então ele tem amor...
Você é ninguém...
E, como ninguém é eterno,
E eterno só Deus,
Você é uma divindade.
Que privilégio ser ninguém nesta vida...
Ei você ai
Que briga para ser alguém!
Se liga!
A vida é muito maior
Que o caminho do seu olho ao umbigo...

Lilia Maria

De vez em quando é preciso chacoalhar alguém.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Dormir de colherinha

Dormir de colherinha... ou de conchinha... é tudo de bom...
Quando eu ia me casar, um amigo falou muito sério para nós dois: olha, nem tentem dormir agarradinhos... sobra braço, sobra perna... Fala boa noite, dá beijinho, e depois é “bunda com bunda...”
Na minha santa inexperiência, achei que estava certo. Mas o tempo foi passando, e a gente foi se conhecendo e se soltando... O sexo foi ficando mais gostoso... os limites foram se alargando... idéias foram surgindo... Hoje o meu conselho para moças casadouras seria este:
A dois, entre quatro paredes não tem proibido. Tem que ter entrega, tem que ter confiança, tem que ter vontade de agradar.
De repente o dormir “bunda com bunda” é bom, mas tem coisa melhor... Um dia se acorda exatamente na posição que se estava no último minuto do suspiro final do orgasmo fatal. Fatal, porque depois dele parece que o mundo acabou... E vocês estão renascendo... leve... gostoso... uma letargia só...
Dormir de conchinha é tão bom quanto isso que eu acabei de escrever. Não precisa nem passar a noite toda encaixadinho. É fazer a parceira adormecer... É o aconchego... É o se sentir gostado... Mesmo que não rolou sexo, é quase tão prazeiroso quanto o melhor dos sexos que se pode proporcionar para alguém... Aliás, se o sexo não for tão bom, acredite, uma mulher certamente vai achar o melhor da vida dela se o parceiro terminar a noite assim...




Lilia Maria

Coisas de Inverno III - Casamento mais que perfeito

Um casamento perfeito pode se tonar mais que perfeito. Basta acrescentar um detalhe.
Nessas noites geladas uma boa pedida é saborear uma sopa, ou caldo, ou creme, ou qualquer coisa bem quentinha. Isso, uma taça de vinho tinto encorpado e uma boa conversa pode ser um casamento perfeito para espantar o frio.
Ontem o meu casamento perfeito virou mais que perfeito. Creme de queijos servido no interior de um pão italiano fresquinho e crocante realmente me fez esquecer o vento gelado que soprava lá fora.
Está certo que além do pão italiano eu queria também o “pão italiano”, mas isso é uma outra história. De qualquer forma eu estava em boa companhia, e a conversa, definindo um roteiro por Buenos Aires, no mínimo aguçou a minha vontade de “colocar o pé na estrada”.

Lilia Maria

sábado, 2 de julho de 2011

Coisas de Inverno II - Clave de Sol

Clave de Sol. Este era o nome de um café que eu frequentava, principalmente durante o inverno, no final dos anos 70.
O charme do lugar ficava por conta do vinho quente que era servido flamejante. Sim, vinha para a mesa flambando. Para saboreá-lo era preciso esperar que o fogo apagasse e depois, que a caneca esfriasse um pouco. Em noites muito frias não demorava a chegar ao ponto certo.
Infelizmente, no início dos anos 80, acabou fechando. Nunca mais encontrei um lugar que servisse vinho quente desta forma. E nem tão saboroso.






Lilia Maria

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Coisas do inverno I - Paris

Paris. Três graus abaixo de zero. Nem o casaco nem o cachecol conseguem fazer o frio parecer menos frio. Vendedores de castanhas estão por toda parte. Cinco francos por cinco delas. Assadas na brasa, quentinhas... Dois pacotinhos, um para cada bolso. Pelos menos as minhas mãos estão quentinhas. Adoro este clima. Sigo meu caminho admirando a beleza dos prédios antigos, mas confesso que, apesar de tudo, eles me parecem mais bonitos na primavera. Faltam as flores.




Lilia Maria

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Fiquei louca?

Deveria ser um conto de fada,
Mas no caminho só encontrei bruxa.
Puxa!
Eu beijei um príncipe
E ele não virou sapo...
Chega de papo!
Conversa fiada
Não leva a nada.

Era um sonho louco.
Procurava o coração
Que pela boca me saiu
Ao bater alucinado.
Coitado!
Ele, que só queria se apaixonar,
Das amarras se livrar,
Foi se deixando levar
Pelo sentimento mais inocente,
Mais puro,
Mais decente,
Que alguém já pode ter.

Por os pés no chão?
Voltar a ser prudente?
Não tem graça!
Prefiro ser meio doidinha,
Meio levada da breca,
Parecendo a eterna moleca,
Que andava perdidinha
No meio do turbilhão.

Lilia Maria


Retomando velhos escritos...
Não sou nem doidinha nem levada. Sou comedida demais. Isso é um problema. Penso tanto em não magoar as pessoas, em ser correta, leal, verdadeira que muitas vezes a única que sai chamuscada sou eu. Não importa. Não vou mudar agora. E se tiver que chorar, vou chorar. E se tiver que rir, vou rir. Vou viver e não apenas sobreviver...